Uma profissão de risco. Ser vigilante não é para qualquer um, e nem para qualquer uma. O setor é dominado pelo gênero masculino, abrindo pouco espaço para as mulheres. Em Ponta Grossa, segundo o Sindicato dos Vigilantes, cerca de 20 mulheres atuam como vigilantes, o que representa menos de cinco por cento da categoria.

 

Usando coturno e farda, de maquiagem no rosto e unhas feitas, Alexandra Strack, de 38 anos, trabalha numa agência bancária da Caixa Econômica Federal. Todos os dias, cumpre oito horas de jornada em pé. 

“Não há privilégios por nenhuma parte, seja do homem ou da mulher, o serviço é o mesmo, os dois passam pelos mesmos riscos", afirma a vigilante, que está há quatro anos no emprego atual.

Alexandra também faz parte do Sindicato dos Vigilantes, representa a categoria como conselheira de saúde municipal. Mesmo já tendo atuado em outros ramos antes da segurança, diz que optou pela profissão pelo motivo de ser uma atividade nova e também por oferecer riscos.

Quando decidiu seguir carreira na profissão, especializou-se em cursos na área da vigilância, como transporte de valores e escolta armada. Questionada pelo fato de haver poucas mulheres na área, ela diz ainda existir preconceito por parte da sociedade.

“Há bastante preconceito, mas as mulheres estão liderando estas áreas, como motorista, vigilante. Acredito que iremos superar todo esse preconceito porque é um bom trabalho.”

O número de mulheres na segurança privada aumenta a cada ano. Segundo dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a entrada de mulheres na categoria cresceu cerca de 300% de 2002 a 2012.

Para o presidente do Sindicato dos Vigilantes, Nilson Ribeiro, há uma resistência por parte das empresas em contratar mulheres: “Nós temos muitas mulheres com o curso de vigilante que ainda estão desempregadas, às vezes exercendo outras funções, não exatamente a de vigilante. Um exemplo é o cargo de fiscal de loja.”

Para o vice-presidente do Sindicato, Edson Luiz Ribeiro Ramos, o preconceito começa por parte das empresas: “a resistência parte das tomadoras de serviço. Quem contrata os serviços ainda não tem confiança nas mulheres desempenhando essa função. As mulheres recebem a mesma preparação que os homens”.

Tramita um projeto de lei na Câmara dos Deputados, com o nº 7244/2014, que obriga empresas especializadas em vigilância e transporte de valores, assim como os estabelecimentos financeiros, a contratarem no mínimo 20% de mulheres vigilantes. Se aprovado, poderá ajudar a colocação das vigilantes mulheres no mercado de trabalho.

A negociação também está na pauta discutida nas assembléias dos vigilantes em 2014. Em Ponta Grossa, a exigência dos bancos é ter pelo menos uma mulher em cada agência para trabalhar na área da segurança.