Os bastidores das experiências de Malaca, a história que você não vê do Anjos da Noite

Perfilado sorrindo em um evento acadêmicoAlegre, camiseta de evento acadêmico e boné na cabeça, esse é o típico traje do Malaca

- Você é sempre ‘tô sereno”, “de boa”? 
- É que eu já fiz muita loucura nessa vida...

Malaca é esse cara, leitor. “O cara” é o Malaca; um cara de boné que você sempre irá encontrar nas festinhas e nos eventos acadêmicos. E, sim, é Malaca mesmo, abreviação carinhosa de Malaquias e também seu melhor apelido. Para os formais, Lucas Malaquias Sprenger de Barros, estudante de engenharia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Ponta Grossa. Com 23 anos, ele é natural da terrinha Princesa dos Campos.

Devidamente apresentado, vamos conhecer o Malaca que você não vê, o que tem resiliência no sangue. “Che Guevara sem causa” é como é chamada a sua fase de rebelde sem causa, fase da qual lamenta por ter tido uma relação complicada com a mãe, a quem costuma se referir como “a maior heroína, sem dúvida”. Compactados em alguns anos de experiências loucas, viagens acadêmicas e muita de cerveja, essa fase, no entanto, não significou a perda do sentimento que ele trazia consigo por acreditar que a sociedade está muito errada.

A loucura rendeu uma bagagem de coragem ao jovem Malaca, afinal, ele fazia tudo que tinha em mente. Porém, a vida é muito curta pra só fazer besteiras e curtir a vida. Quando se deparou, em 2009, com a perda de seu maior exemplo, seu tio, tudo mudou. Malaca ficou brigado com o mundo e reflete “bem que a vida nos ensina várias lições, mas a morte é suprema nessa arte e com isso, virou lei: faz hoje, fala hoje, visita hoje, ama hoje”.

Sem pensar muito, a morte de seu tio foi o ápice para uma nova vida. Se curou, se libertou e principalmente se superou. Fez dos seus demônios, aliados. Malaca e o tio passaram o ano novo juntos, fazendo planos para o futuro e, duas semanas, depois ele partiu. Assim, na dor, aprendeu que não há uma chance, um amanhã e a rebeldia sem causa ganhou uma causa: deixar uma marca positiva no mundo.

Agora, como deixar essa marca? Fica o questionamento. E, essas novas experiências, das quais se orgulha muito, foram intensas e foram tudo o que ele podia fazer para ajudar o próximo. Foi em 2013 que o Lucas Malaquias se achou no mundo. Ele e o amigo mais fiel, Gabriel Vimieiro, juntaram todo o conhecimento mais a revolta com a sociedade errada e criaram o Anjos da Noite, projeto que busca doar alimentos, roupas e diversão aos que precisam.

- O que é o Anjos da Noite pra você?

- Surgiu a ideia, virou um projeto e, hoje, é um filho.

Malaca conta que ouviu, aos 20 anos, o que gente com 60 não chegou nem perto. Foi convivendo com moradores de rua e os salvando do frio, que ele começou a valorizar as pequenas coisas. Assim, se entregou de corpo e alma ao projeto. Tanto que foi crescendo e, hoje, ajuda comunidades carentes também. Dar amor para quem não se conhece, essa era a missão do jovem nesse mundão. Malaca salva crianças de uma vida ruim e moradores de rua da morte. E foi exatamente nesse projeto que conheceu Dona Cidinha, ou Aparecida Rodrigues, uma senhora que ajuda famílias carentes em várias vilas da cidade e que vê, em Lucas, um verdadeiro anjo.

“Se eu morrer, eu morri fazendo algo. Tirei a bundinha do sofá. Parei de ser analista de Facebook, crítico do sofá. Eu fui pra rua. Eu vi. Eu fiz.”

Com esse contato, o “anjo da noite” voltou a amar, a viver. Percebeu que a vida não é só sofrimento e, tudo isso, ao lado dos amigos. Malaca enfatiza muito a presença dos amigos em sua vida e desse jeito conhecemos Gabriel Carneiro [sim, ele é fã de um Gabriel], mais conhecido, no mundo universitário, como Bibico e chamado, por Malaca, de Baiano ou irmão do coração. “Foi esse cara, aí, que acreditou, quando ninguém queria saber”, como conta Malaca. É impossível esconder a felicidade quando pensa nos

“Gabriéis” de sua vida, ainda mais quando ele conta da viagem de fim de ano. No final de 2016, foi quando conheceu uma nova família: Os Carneiros. É só entrar nas redes sociais do Malaca pra ter certeza de como amou essa viagem para Minas Gerais. Era almoço de família, praia e piscina. Era felicidade.

Você pode ficar se perguntando porque saber de uma menino? Todo mundo tem as fase crucial na vida. A diferença é que, ao invés de só superar, Malaca fez mais, ele quis mudar o mundo, assim como o mundo o mudou.

[Gabriela Bulhões: Acreditem em mim, escutei pela primeira vez essas histórias em uma pequena viagem para uma cachoeira e não pude deixar de notar o quanto o protagonista da história se emociona ao contar. Foi do lado dele, por mais de uma hora, que percebi que todas as pessoas deveriam querer mudar o mundo e não só a si mesmo. Garanto que conhecendo ele, qualquer um também vai ter essa sensação.] .


Resiliência (s.f.)
1. Capacidade de se adequar em situações complicadas
2. Sentar com seus demônios numa mesa de bar e conversar
3. Apanhar de todo lado e levantar, ter espírito de boxeador e nocautear a dor
4. É ser Lucas Malaquias

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